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O setor tecnológico precisa de mais talento. E também de mais diversidade.

Nesta entrevista, Tania Rodríguez analisa os desafios que ainda existem no caminho para uma maior igualdade no setor tecnológico e partilha a sua visão sobre o papel que as empresas desempenham na criação de oportunidades reais de desenvolvimento pessoal.

A escassez de talentos nas áreas STEM e a necessidade de integrar mais mulheres nas disciplinas técnicas tornaram-se dois dos grandes desafios do mercado de trabalho atual. Embora cada vez mais jovens optem por cursos científicos e tecnológicos, a presença feminina em áreas como a engenharia continua a ser claramente minoritária. Por ocasião do Dia Internacional das Mulheres Engenheiras e para analisar as causas desta disparidade, os obstáculos que ainda persistem e as iniciativas que podem contribuir para acelerar a mudança, conversámos com Tania Rodríguez, diretora de Recursos Humanos da fibratel, que partilha a visão de uma empresa que aposta na diversidade como motor de inovação e competitividade num setor fundamental para a transformação digital.

O setor da engenharia continua a ser predominantemente masculino. Por que razão acha que esta disparidade persiste em 2026?

Embora se tenham registado avanços importantes nos últimos anos, a disparidade continua a existir e está intimamente ligada a fatores que surgem muito antes da entrada no mercado de trabalho. A suposta falta de interesse das mulheres neste tipo de cursos está cada vez mais a ser desmentida pelos dados.

Verifica-se um claro aumento progressivo do número de mulheres nos cursos STEM, com uma presença cada vez maior em algumas áreas (energia, ambiente, biomedicina). No entanto, a vocação para as carreiras STEM continua a ser condicionada por estereótipos que influenciam a perceção que muitas raparigas e jovens têm sobre as profissões tecnológicas e de engenharia.

E, em consequência disso, continuamos a arrastar um problema estrutural: o número de mulheres que acedem aos cursos de engenharia continua a ser reduzido. Em Espanha, apenas uma em cada cinco pessoas que exerce a profissão de engenheiro é mulher, o que limita a presença de talento feminino disponível para as empresas.

Que barreiras continuam a impedir o acesso das mulheres às carreiras STEM?

A disparidade na engenharia não se explica por preferências individuais, mas sim por um sistema de decisões acumuladas (educativas, culturais e organizacionais) que acabam por gerar desigualdade.

Por isso, acreditamos que é fundamental continuar a trabalhar de forma integral: a partir das próprias instituições de ensino, da administração pública e, claro, das empresas: muitas decisões sobre os estudos são tomadas em idades muito precoces, e é aí que devemos reforçar o conhecimento sobre as oportunidades que as carreiras STEM oferecem e o seu impacto real na sociedade.

Por outro lado, devemos continuar a promover ambientes inclusivos que favoreçam o desenvolvimento profissional e a permanência do talento feminino. Não se trata apenas de atrair mais mulheres para estas disciplinas, mas também de garantir que encontrem oportunidades de crescimento, formação e liderança ao longo de toda a sua trajetória profissional.

Embora a mudança já esteja em curso, acreditamos que devemos trabalhar em conjunto para que haja cada vez mais figuras femininas de referência, mais iniciativas educativas e uma maior sensibilização por parte das empresas para a criação de equipas diversificadas.

Que medidas concretas está a promover a fibratel para atrair mais talento feminino para perfis técnicos?

Na fibratel, entendemos que a diversidade é uma vantagem competitiva e uma condição necessária para enfrentar os desafios tecnológicos do futuro. Por isso, há já algum tempo que trabalhamos em medidas concretas que promovam a igualdade de oportunidades em todas as fases da carreira profissional.

Um dos pilares é o nosso Plano de Igualdade de Oportunidades, que inclui ações em áreas como a seleção e contratação, a promoção profissional, a formação, a classificação profissional ou a igualdade salarial. Graças a este trabalho, conseguimos aumentar a representação feminina na empresa a nível geral.

No âmbito técnico, estamos a reforçar os processos de recrutamento que ampliem o acesso ao talento feminino, dando visibilidade a figuras de referência dentro da organização e promovendo ambientes nos quais as profissionais possam desenvolver-se e crescer. Atualmente, 18% do nosso quadro de engenharia é composto por mulheres e estabelecemos o objetivo de atingir os 20% em 2027.

Para além dos percentuais, o nosso objetivo é construir uma cultura em que o talento seja o único critério relevante. Estamos convencidos de que as equipas diversificadas trazem perspetivas diferentes, impulsionam a inovação e contribuem para oferecer melhores resultados aos nossos clientes. É uma vantagem real para enfrentar projetos cada vez mais complexos e exigentes.

A engenharia precisa de talento e a Espanha terá de integrar milhares de novos profissionais nos próximos anos. Não podemos dar-nos ao luxo de deixar de fora metade do talento disponível. O desafio não consiste apenas em aumentar a presença feminina nos cursos de ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), mas sim em garantir que as mulheres encontrem oportunidades reais para se desenvolverem, liderarem e contribuírem para a transformação tecnológica que estamos a viver.

Fonte da entrevista: https://www.rrhhdigital.com/entrevista/798284/entrevista-a-tania-rodriguez-fibratel-el-gran-reto-del-sector-tecnologico-sigue-siendo-la-igualdad/